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O CAPITÃO, nas palavras dos novos críticos (1/3)

O CAPITÃO, nas palavras dos novos críticos (1/3)

A Leopardo Filmes desafiou professores e jovens estudantes de diferentes áreas e graus de ensino, para assistirem ao filme O CAPITÃO, de Robert Schwentke, discuti-lo, e elaborar um comentário crítico.
Ao longo dos próximos dias revelaremos aqui os resultados desta iniciativa. Hoje pode ler a participação dos seguintes intervenientes:
 
Leonor Oliveira, 9º ano de escolaridade, Escola Secundária da Maia
Tomás Girão Miguel e Francisco Ervões, 11º ano de escolaridade, Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão
Catarina Matias, finalista da especialização de Cinema e Vídeo, do curso de Comunicação Audiovisual da Escola Artística António Arroio
Vasco Muralha, finalista da especialização de Multimédia, do curso de Comunicação Audiovisual da Escola Artística António Arroio
Susana Crespo, 3º ano da Licenciatura em Filosofia, Universidade Nova de Lisboa
Raquel Ermida, Doutoramento em Estudos Artísticos, Universidade Nova de Lisboa

A Leopardo Filmes agradece aos alunos e professores que participaram nesta iniciativa.
 
O CAPITÃO, de Robert Schwentke, continua em exibição nas salas Medeia Monumental (Lisboa), Cinemas Nos Amoreiras (Lisboa), UCI Cinemas - El Corte Inglés (Lisboa), UCI Arrábida (Porto), Cine Teatro S. Pedro (Abrantes).
Está ainda agendado para as salas: Centro de Artes, Figueira da Foz (13/04), Theatro Circo, Braga (16/04) e Cinema Verde Viana, Viana do Castelo (30/04), entre outras.
 
Leonor Soares Oliveira
Escola Secundária da Maia, 9º ano

O mais recente filme de Robert Schwentke, «O Capitão», conta a história de um soldado alemão que deserta duas semanas antes da 2ª Guerra Mundial terminar.
 

Mas será que devemos também fugir das salas de cinema?
Aparentemente não há motivos para tal, uma vez que, este filme previamente vencedor do Prémio de Júri para Melhor Fotografia em Espanha, volta a ser distinguido com cinco nomeações para os Deutscher Filmpreis 2018.
O filme retrata a história verídica de Willi Herold, um jovem de 19 anos, que mesmo antes do fim da guerra, deserta. Ao fugir encontra um uniforme de capitão dentro duma mala, num carro abandonado. Veste-o, mudando de imediato a sua atitude, maneira de pensar e agir. Todos os sentimentos de tristeza, angústia, sofrimento e solidão desaparecem, dando lugar à confiança, vaidade, superioridade e altivez, típicas dos capitães nazis. A partir desse momento, Herold passa a encarnar um capitão, começando a viver uma mentira entre os próprios alemães em nome do orgulho e da vaidade.

É então que, reunindo um grupo de desertores, inicia uma vaga de assassinatos e saques, destruindo tudo e todos os que se atravessam no seu caminho. Só no campo de trabalho para prisioneiros alemães, por onde passou, foi responsável pelo massacre de quase 100 homens…
Este jovem, com as bainhas das calças desalinhadas, dá ordens a várias pessoas que mesmo discordando, se vêem obrigadas a cumprir. Uns porque sabem que se não o fizerem terão o mesmo destino de todos os outros que não sobreviveram para contar a sua história e outros, porque preferem embarcar numa mentira do que enfrentar a própria morte, estando dispostos a quebrar e a agir contra os seus princípios.
Em algumas passagens desta longa-metragem, Willi organiza festas para comemorar o sucesso dos alemães, o que apenas comprova a sua «infantilidade» e a sua falta de consciência relativamente ao que estava a acontecer. Ele é talvez a personagem que tem menos problemas em aplicar a violência e em pôr fim à vida de pessoas que tal como ele, cometeram crimes. Esta atitude revela a sua faceta fria e insensível.
Este tema é para muitos difícil de enfrentar e é muitas vezes apaziguado pela voz da sociedade, que quer incutir uma ideia pouco clara daquilo que realmente foi a 2ª Guerra Mundial.

A fotografia a preto e branco, da autoria de Florian Ballhaus, é de facto lindíssima e confere ao filme um caráter histórico mais realista, acentuando e dando credibilidade às cenas mais violentas. Porém, o que é essencialmente focado, não é a violência física propriamente dita, nem o sangue que lhe está adjacente, mas sim uma história individual, que acarreta inevitavelmente a vida de outras pessoas e que retrata parte da vida de alguém que foi tudo menos um herói.
Repare-se que Robert Schwentke, deu ao filme o título de «O Capitão», mas este «O» atribui-lhe um caráter único, como se este fosse o único capitão, o mais importante, «o tal».

Outro aspeto relevante é a banda sonora escolhida, que é muito intensa nas cenas mais realistas, nomeadamente de violência, que ocorrem essencialmente no campo de trabalho, tornando-as mais chocantes. Provavelmente o objetivo de Robert era apenas reforçar a ideia de que na guerra ou se mata, ou se é morto.

Nas últimas cenas do filme somos presenteados com um desfecho inesperado. Ficamos a saber que após ter sido desmascarado, Herold foi julgado e absolvido de todos os crimes de guerra que cometeu. O que ditou a sua morte foi algo bem diferente, o simples facto de ter roubado um pão. Este ato fez com que todo o seu passado fosse descoberto e por isso, fosse novamente julgado e condenado à morte. O irónico desta situação, é que por todos os outros crimes que cometeu, que incluíam condenações à morte sem direito a julgamento, não pagou nada, mas foi preso por roubar um simples pão. Este é um dos muitos exemplos de quando «o feitiço se vira contra o feiticeiro»; num momento era ele que vestia o uniforme e mandava matar todos os que roubassem e pilhassem, no outro, era ele a ser morto por roubar comida. É uma lição valiosa de que nada na vida se deve dar por garantido.
Este é sem dúvida alguma, um filme que merece ser observado no grande ecrã, não só pela excelente fotografia e banda sonora, como também pelo excelente argumento.
 
 
Tomás Girão Miguel e Francisco Ervões
Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão, 11º ano

Diante do meu olhar tudo era frio e o mundo que via, sem cor, transmitia a fome, o medo, a desgraça... Eram visíveis pelos roubos, pilhagens por parte da população que procurava meios para sobreviver. Herold, jovem soldado alemão, desertor, corria pela vida e, em poucos segundos, decidiu utilizar as roupas que se encontravam perdidas como um meio para subir na vida. Ai, aquela farda! O quão poderosa e bonita ela é! Impõe-se sobre os mais simples humanos, que nem podem atrever-se a uma crítica. O poder persuasivo que ela carregava era o mesmo que centralizava tudo em Herold: a ordem para matar, a autorização para realizar uma ação de uma certa forma… Mesmo que um superior duvidasse da sua identidade, ele recorria a um discurso muito semelhante ao dos sofistas, que valorizavam a forma como se transmitia a mensagem, ou seja, ele não tinha em conta o conteúdo. O seu carácter firme e forte manipulava as pessoas ao seu redor. Muitas das medidas que ele tomou partiram apenas de um discurso convincente ou do medo das consequências.

Na minha opinião, o filme relata muito bem a realidade da época, e também como certos pormenores conseguem fazer-nos mudar de opinião, ou seja, passar do nada a tudo. Gostei muito de assistir ao filme, pois relata bem como uma pessoa consegue governar através do medo e conquistar a atenção dos outros a partir da manipulação. O filme é bom para perceber os contextos históricos, sociais (por exemplo, podemos verificar que a população alemã se preocupa em sobreviver em vez de viver, eles são capazes de condenar o vizinho que roubou alimentos para sobreviver) políticos e também económicos.

Leonor Oliveira, 9º ano de escolaridade, Escola Secundária da Maia

Tomás Girão Miguel e Francisco Ervões, 11º ano de escolaridade, Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão

Catarina Matias, finalista da especialização de Cinema e Vídeo, do curso de Comunicação Audiovisual da Escola Artística António Arroio

Vasco Muralha, finalista da especialização de Multimédia, do curso de Comunicação Audiovisual da Escola Artística António Arroio

Susana Crespo, 3º ano da Licenciatura em Filosofia, Universidade Nova de Lisboa

Raquel Ermida, Doutoramento em Estudos Artísticos, Universidade Nova de Lisboa

07-04-2018

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