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A OBRA DE AGUSTINA BESSA-LUÍS NO CINEMA

A OBRA DE AGUSTINA BESSA-LUÍS NO CINEMA

Agustina Bessa-Luís (1922-2019) teve, desde sempre, uma enorme predilecção pelo cinema (“A função própria do cinema é apaixonar”, disse ela). Por várias vezes escreveu sobre filmes (escritos que podemos encontrar em alguns dos seus livros de crónicas e ensaios) e pelos seus romances “passeiam” figuras do cinema, realizadores, actores e actrizes. É a escritora portuguesa com mais livros adaptados ao cinema, fruto, sobretudo, de uma relação criativa com o realizador Manoel de Oliveira, que resultou em nove obras deste último. Uma relação com um vínculo especial ao produtor Paulo Branco, que começou no início dos anos 1980, quando Manoel de Oliveira adaptou o romance “Fanny Owen” em “Francisca”, uma das suas obras maiores, que era também o início de uma frutuosa ligação de Oliveira e Branco, que duraria cerca de três décadas. E foi com os filmes que Branco produziu que esta relação criativa e profícua entre a escritora e o cineasta se consolidou, com alguns atritos e algumas picardias pelo meio, é certo, mas com uma profunda admiração pelo trabalho um do outro (ver conversa com Agustina Bessa-Luís sobre o filme “Vale Abraão”).

Agustina falava de Oliveira como “um visionário”, alguém que “como um Bergman ou um Dreyer, ficará sempre como um mistério para os seus contemporâneos”; Oliveira referia a genialidade e transcendência da escrita de Agustina, a “expressão de uma inteligência subterrânea e vulcânica”.

Com produção de Paulo Branco, seguiram-se “Vale Abraão” (1993), outro dos filmes maiores de Oliveira, que adapta o romance homónimo – o próprio realizador desafiara a escritora a escrever uma variação de “Madame Bovary” adaptada aos tempos actuais, em Portugal, na região do Douro; Agustina viria a reconhecer que este filme, devido à boa recepção que teve, a partir da estreia em Cannes foi distribuído no mundo inteiro, e alargou o seu reconhecimento internacional como escritora); “O Convento” (1995. Este foi maior pomo de discórdia entre escritora e realizador, provocando mesmo uma “zanga” entre os dois; no genérico Oliveira acabaria por escrever:  “Inspirado numa ideia original de Agustina Bessa-Luís”); essa “zanga seria rapidamente ultrapassada com “Party” (1996), um dos favoritos de Agustina. Seguiram-se ainda: o conto “A Mãe de um Rio”, adaptado num dos três segmentos de “Inquietude” (1998); “O Princípio da Incerteza” (2001), que adapta “Jóia de Família”, o primeiro volume da trilogia homónima; e ainda uma participação especial em “Porto da Minha Infância” (2001), onde a própria Agustina lê um texto da sua lavra, como “Dama Texto”.
 
Manoel de Oliveira teria ainda a colaboração de Agustina Bessa-Luís em “Visita, ou Memórias e Confissões” (1982, que ele próprio produziu), o filme que só seria visto postumamente; e adaptou o segundo volume da trilogia O Princípio da Incerteza, “A Alma dos Ricos”, com o título “Espelho Mágico” (2005, Filbox produções).

Para além destes filmes, também João Botelho adaptou “A Corte do Norte” (2008) e Rita Azevedo Gomes teve a colaboração de Agustina Bessa-Luís nos diálogos de “A Portuguesa” (2017).

04-06-2019

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