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A Lenda do Santo Bebedor La leggenda del santo bevitore

Um filme de Ermanno Olmi com Rutger Hauer, Anthony Quayle, Sandrine Dumas, Dominique Pinon

Um sem-abrigo, Andreas (Rutger Hauer, num dos seus desempenhos mais brilhantes), assombrado pelo passado e pelo vício do álcool, recebe 200 francos de um estranho, sob uma única condição: que, quando conseguir e como forma de pagar a sua dívida, doe o dinheiro a uma igreja local. Filme labiríntico e onírico, a partir da novela homónima de Joseph Roth, esta jornada redentora está imbuída de um humanismo especial que alcança dimensões transcendentais. Olmi, que afirmou sempre fazer cinema com honestidade, falando sobre coisas de que sentia necessidade, revela-se aqui o cronista mais sensível dos humilhados e marginalizados.

1988 | Itália, França | M/12 | Cópia Restaurada | 2h08 | Drama | Longa-metragem

Festivais e prémios

Festival de Veneza 1988 – Leão de Ouro

Prémios David di Donatello 1989 – Melhor Filme; Melhor Realizador; Melhor Cinematografia; Melhor Montagem

Actores e ficha técnica

Elenco: Rutger Hauer, Anthony Quayle, Sandrine Dumas, Dominique Pinon


Argumento: Ermanno Olmi, Tullio Kezich (baseado no romance homónimo de Joseph Roth)
Direcção de Fotografia: Dante Spinotti
Montagem: Paolo Cottignola, Ermanno Olmi, Fabio Olmi
Produção:Mario Cecchi Gori, Vittorio Cecchi Gori, Roberto Cicutto, Vincenzo Di Leo
Distribuição: Leopardo Filmes

Biografia do realizador

Ermanno Olmi nasceu em Bérgamo, em 1931, e morreu em 2018, em Asiago. A família mudou-se para Milão na sua infância, e, aos 16 anos, após a morte do pai, começou a trabalhar na empresa de eletricidade Edisonvolta. Inspirado pelos filmes de Roberto Rossellini, em particular Alemanha, Ano Zero (1948), começou a filmar documentários institucionais, financiados pela empresa. Foi neste contexto que realizou a sua primeira longa-metragem, Il tempo si è fermato (1959). Depois de vários anos a fazer documentários para a Edisonvolta (terão sido mais de 40), transformou um documentário sobre uma barragem, rodado nos Alpes, numa longa-metragem sobre dois dos seus trabalhadores. O filme foi seleccionado para o Festival de Veneza e Olmi passou a poder dedicar-se ao cinema a tempo inteiro. Dois anos depois, realizou Il Posto (1961), uma das suas maiores obras, sobre um jovem no seu primeiro emprego. Nunca parou de filmar, estreando várias curtas e longas-metragens, bem como filmes para televisão, e, em 1978, realizou aquele que é talvez o seu mais conhecido filme – A Árvore dos Tamancos, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. Dez anos mais tarde, A Lenda do Santo Bebedor, a partir da novela homónima de Joseph Roth e protagonizado por Rutger Hauer, venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Este foi um dos poucos filmes de Olmi estreados em Portugal. Em 2008, recebeu, deste mesmo festival, o Leão de Ouro pelo conjunto da sua obra, quatro anos depois de o ter recusado (nas suas palavras, “ainda não queria pôr um fim à minha carreira”). Realizou o seu último filme, Vedete, sono uno di voi, em 2017. Cineasta “à margem” do cinema italiano, preferiu viver a sua vida na vila de Asiago, alheio aos fluxos da vida cultural italiana. Filmou com uma liberdade absoluta e sincera, sempre à procura da autenticidade, visível no seu estilo semi-documental e preferência por actores não-profissionais. Esta filosofia levou ao estabelecimento da sua própria escola de cinema, Ipotesi Cinema, que fundou com Paolo Valmarana, onde os alunos são encorajados a explorar as relações com os outros e a dimensão colectiva do seu trabalho, filmando com métodos de produção alternativos. Inspirou-se na sua família, história e religião para contar histórias do quotidiano italiano, verdadeiras celebrações da sacralidade da vida que nos ensinam a olhar de novo para o mundo, informadas pela sua profunda cristandade e amor pelo próximo. Nas palavras do próprio Ermanno Olmi: “O cinema é vida, e a vida, para mim, é o cinema.”

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