A Mulher-Macaco La donna scimmia
Antonio (Ugo Tognazzi) é um empresário do circo, vigarista perfeito que se casa e expõe em freak shows por toda a Itália uma mulher peluda como um macaco (Annie Girardot). Um dos maiores sucessos do período inicial da obra de Marco Ferreri, o da commedia all’italiana, o filme segue os princípios que a viriam a caracterizar. Com o seu estilo anticonformista, feroz e provocador, Ferreri leva até ao fim um tema incongruente, de forma a incomodar o espectador e a confrontá-lo com as suas fraquezas e vícios.
Festivais e prémios
Festival de Cannes 1964 – Selecção Oficial em Competição
Actores e ficha técnica
Elenco: Ugo Tognazzi, Annie Girardot, Achille Majeroni
Argumento: Marco Ferreri, Rafael Azcona
Direcção de Fotografia: Aldo Tonti
Montagem: Mario Serandrei
Produção: Carlo Ponti
Distribuição: Leopardo Filmes
Biografia do realizador
Marco Ferreri nasceu em Itália, em 1928. Estudou medicina veterinária, mas decidiu enveredar pelo cinema, onde começou como argumentista e produtor. Em 1958, em Madrid, co-realizou, com Isidoro M. Ferry, a sua primeira longa-metragem, El pisito. O filme ganhou o Prémio FIPRESCI no Festival de Locarno. Em 1963, regressado a Itália, realizou O Leito Conjugal. O filme marcou o seu compromisso total com o cinema e foi estreado na Competição Oficial do Festival de Cannes, onde Marina Vlady ganhou o Prémio de Melhor Actriz. Na estreia em Itália, o filme foi censurado e só em 1984 é que a versão completa foi disponibilizada. No ano seguinte, A Mulher-Macaco também foi estreado na Competição Oficial do Festival de Cannes. Dillinger Morreu (1969) e A Grande Farra (1973) foram ambos estreados no Festival de Cannes na Competição Oficial. Este último em particular causou um grande escândalo aquando da sua projecção e é o seu filme mais conhecido. Outras obras relevantes incluem Liza, a Submissa (1972), Não Toques na Mulher Branca (1974) e O Refúgio das Crianças (1979), que ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim. Ferreri apresenta uma obra ecléctica e surpreendente, altamente provocadora, composta por sátiras contundentes e melodramas poderosos. Os seus filmes têm uma visão crítica e delirante do seu tempo, simultaneamente engraçada e sombria. Há quem o defina como o cineasta do “filme-escândalo”. Morreu em 1997, um ano depois de realizar Nitrato d’argento.


