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Antes da Revolução Prima della rivoluzione

Um filme de Bernardo Bertolucci com Adriana Asti, Francesco Barilli, Allen Midgette, Morando Morandini

Fabrizio é um jovem de 20 anos, de Parma, dividido entre a sua origem social e uma adesão apaixonada e romântica ao marxismo. Um dia, o seu melhor amigo Agostino morre, num provável suicídio, o que aprofunda o desassossego da sua alma. Só Gina, a sua tia um pouco mais velha, compreende a crise por que está a passar, e os dois aproximam-se. Belissimamente operático, com a intensidade emocional característica da juventude, Antes da Revolução é o filme mais pessoal de Bertolucci (Fabrizio é o seu alter ego), reflexão da sua evolução política e tingido de conformismo e derrota.

1964 | Itália | M/12 | 1h52 | Drama | Longa-metragem

Festivais e prémios

Festival de Cannes 1964 – Semana da Crítica – Prémio Jeune Critique

Actores e ficha técnica

Elenco: Adriana Asti, Francesco Barilli, Allen Midgette, Morando Morandini


Argumento: Bernardo Bertolucci, Gianni Amico
Direcção de Fotografia: Aldo Scavarda 
Montagem: Roberto Perpignani
Produção: Mario Bernocchi
Distribuição: Leopardo Filmes

Biografia do realizador

Bernardo Bertolucci (1941-2018) é largamente considerado, sem contestação, um dos maiores realizadores da história do cinema. Filho de um pai poeta, Attilio, Bernardo cresceu no meio do mundo das artes. Motivado a seguir as pisadas do seu pai, mudou-se para Roma para estudar literatura. Aí, teve a sua primeira experiência no cinema. Pier Paolo Pasolini, amigo da família (Attilio “descobriu” Pasolini e publicou-lhe o primeiro livro), convidou Bernardo a ser assistente de realização em Accattone (1961). No ano seguinte, Bertolucci realizou a sua primeira longa-metragem, La commare secca, a partir de um argumento de Pasolini. Em 1964, com apenas 22 anos, assinou Antes da Revolução, filme-matriz da sua obra. Profundamente autobiográfico (há quem o descreva como um “exorcismo”), ambientado na sua Parma natal, conta a história de um jovem burguês dividido entre a sua origem social e a sua adesão ao marxismo, com o protagonista Fabrizio a servir de alter ego de Bertolucci, marxista assumido. O filme, considerado uma das suas obras-primas, introduziu uma nova sensibilidade no cinema italiano e estabeleceu o cineasta como discípulo da Nouvelle Vague. Estreou dois filmes em 1970, O Conformista e A Estratégia da Aranha (ambos situados na Itália dos anos 30 e 40), onde revisita os fantasmas do fascismo. Dois anos depois, realizou o muito polémico O Último Tango em Paris, protagonizado por Marlon Brando, com 48 anos, e Maria Schneider, 19. Sobre aquela que porventura será a cena mais famosa do filme, uma cena de violação, Schneider afirmou ter-se sentido “humilhada e violada”, pois Bertolucci não a informou do que iria acontecer. O cineasta admitiu ter ocultado informação à jovem para suscitar uma “sensação real de frustração e raiva”. Bertolucci foi condenado pelos tribunais italianos a uma pena suspensa e à perda dos direitos cívicos durante cinco anos pelo crime de “obscenidade”. Em 1976, realizou 1900, um épico histórico sobre a evolução política da Itália no século XX, entre o fascismo e o comunismo, entre a luta de classes e a decadência da burguesia. Com A Tragédia de Um Homem Ridículo (1981), Bertolucci filmou a fealdade da Itália, antes de se internacionalizar com O Último Imperador (1987). Foi o primeiro filme ao qual o estado chinês deu permissão para filmar na Cidade Proibida. Esta produção grandiosa e espectacular, sobre a vida do último imperador da China, venceu os 9 Óscares para os quais foi nomeado, incluindo Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Fotografia e Melhor Argumento Adaptado, consolidando o nome de Bertolucci na história do cinema. Nos anos seguintes, realizou obras como O Pequeno Buda (1993), Beleza Roubada (1996) e Os Sonhadores (2003), aquela que é considerada a sua última grande obra, evocação simultaneamente romântica e desencantada do período de Maio de 68. Eu e Tu (2012) foi o seu último filme. Entre o político e o íntimo, Bertolucci captou as experiências individuais nos grandes eventos históricos. Filmou juventude, poder, traição, mas também corpo, paixão e a vertigem de existir. Cada obra é uma confissão disfarçada, um poema em luta com o mundo.

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