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Nossa Senhora dos Turcos Nostra signora dei turchi

Um filme de Carmelo Bene com Carmelo Bene, Lydia Mancinelli, Salvatore Siniscalchi, Anita Masini

Em Nossa Senhora dos Turcos, o seu primeiro filme, Carmelo Bene adapta o seu romance homónimo, e interpreta ele próprio um escritor possuído por visões e alucinações, confluências de memórias e eventos históricos, entre o pânico e a atracção erótica. Um poema épico, barroco e com tons surrealistas, uma “profanação por dissociação”, como dizia Moravia, uma obra-prima disruptiva, alucinante e original.

1968 | Itália | M/14 | Cópia Restaurada | 2h03 | Drama | Longa-metragem

Festivais e prémios

Festival de Veneza 1968 – Selecção Oficial em Competição – Prémio Especial do Júri

Actores e ficha técnica

Elenco: Carmelo Bene, Lydia Mancinelli, Salvatore Siniscalchi, Anita Masini, Ornella Ferrari, Vincenzo Musso


Argumento: Carmelo Bene (baseado no seu romance homónimo)
Direcção de Fotografia: Mario Masini
Montagem: Mauro Contini
Produção: Carmelo Bene, Giorgio Patara
Distribuição: Leopardo Filmes

Biografia do realizador

Carmelo Bene (1937-2002) foi um dos artistas mais férteis e produtivos da segunda metade do século XX, e um dos mais importantes expoentes da neovanguarda italiana. Escritor, pensador, encenador, poeta, actor, realizador, músico, entre tantas outras coisas, desafiou os rótulos e fronteiras da criação artística ao longo da sua vida. Começou por se dedicar ao teatro, pelo qual se mudou para Roma. Em 1959, estreou-se enquanto actor numa encenação de Calígula, escrita por Albert Camus. Entre 1961 e 1963, estabeleceu o que designou de “Teatro Laboratorio” onde encenou espectáculos e happenings profundamente controversos. Os escândalos recorrentes fizeram dele um nome reconhecido no meio artístico romano. Em 1967, contracenou em Rei Édipo (no papel de Creonte) a convite do seu amigo e realizador Pier Paolo Pasolini. Isto despoletou o seu “período cinematográfico”, entre 1968 e 1973, no qual se dedicou intensamente ao cinema. O seu primeiro e mais conhecido filme, que escreveu, realizou e protagonizou, A Nossa Senhora dos Turcos (1968), estreou-se no Festival de Veneza, onde venceu o Prémio Especial do Júri. Até 1973, realizaria mais quatro longas-metragens e duas curtas, com destaque para Salomè (1972) e Un Amleto di meno (1973). Bene nunca abandonou o teatro (e mergulhou também na ópera), e, nos anos que se seguiram, as suas peças foram bem-recebidas, ao ponto de ser convidado a encená-las em França, onde travou amizade com académicos como Gilles Deleuze (com quem escreveu um ensaio, Superpositions (1979), antes de este dedicar textos à sua obra), Michel Foucault, Jacques Lacan e Pierre Klossowski. Em 1988, foi nomeado director artístico da Bienal de Teatro de Veneza. Autêntico cometa na história do cinema, intenso e fulgurante, assinou uma obra ecléctica onde todas as artes se encontram em permanente diálogo. Bene pretendia reinventar as várias linguagens e libertá-las da opressão da representação e interpretação, enfim, da opressão do “sentido”. Fã declarado de João César Monteiro, inventou e satirizou sem limites, e promoveu uma revolução estética marcante em Itália.

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