O General Della Rovere Il generale Della Rovere
O ano é 1944, durante a vigência da República Social Italiana. Bardone (interpretado pelo realizador Vittorio De Sica) faz-se passar por coronel do exército italiano para enganar famílias de presos políticos, que lhe pagam grandes quantias de dinheiro na expectativa de que os consiga libertar. Um dia, é capturado pela Gestapo, que lhe propõe um acordo: Bardone será libertado se entrar na prisão de San Vittore, assumindo a identidade do General Della Rovere (um líder da resistência recentemente assassinado), e obtiver informações sobre um importante membro da resistência. Esta parábola sobre o heroísmo é uma síntese da obra de Rossellini, que retoma elementos neo-realistas que marcaram os seus filmes dos anos 40 e as reflexões morais e metafísicas das obras dos anos 50.
Festivais e prémios
Festival de Veneza 1959 – Leão de Ouro, Prémio OCIC
Prémios David di Donatello 1960 – Melhor Produção
Óscares 1962 – Nomeação para Melhor Argumento Original
Actores e ficha técnica
Elenco: Vittorio De Sica, Hannes Messemer, Herbert Fischer, Nando Angelini, Vittorio Caprioli
Argumento: Diego Fabbri, Indro Montanelli, Sergio Amidei
Direcção de Fotografia: Carlo Carlini
Montagem: Cesare Cavagna
Produção: Morris Ergas
Distribuição: Leopardo Filmes
Biografia do realizador
Roberto Rossellini nasceu a 8 de Maio de 1906, em Roma, onde viria a morrer a 3 de Junho de 1977. A sua ligação ao cinema começou cedo na sua infância. O seu pai foi o responsável por construir a primeira sala de cinema de Roma, o Cinema Barberini, o que, segundo relatos, lhe permitiu ter acesso livre durante vários anos. Desempenhou diversas funções nas produções de vários filmes e realizou três filmes de propaganda encomendados pelo regime, La nave bianca (1941), Un pilota ritorna (1942) e L’uomo dalla croce (1943). Dois meses depois da libertação de Roma, em Junho de 1944, Rossellini começou a trabalhar no que viria a ser Roma, Cidade Aberta (1945). Estreado em 1945, foi filmado nas ruas de Roma, fora dos estúdios, com vários não-actores, e conta a história de um líder da resistência em fuga e daqueles que o ajudam. Roma, Cidade Aberta impulsionou o movimento neo-realista do cinema italiano e é considerado um dos filmes charneira do cinema moderno. É, ainda, o primeiro filme da chamada “Trilogia da Guerra” (ou “Trilogia Neo-Realista”), com Paisà – Libertação (1946) e Alemanha, Ano Zero (1948). Em 1950, realizou Stromboli, a primeira de várias colaborações com Ingrid Bergman (com quem viria a casar, depois de um caso amoroso extremamente polémico), que também incluem, entre outros, Europa 51 (1952) e Viagem em Itália (1954). Nestas, Rossellini expande o estilo neo-realista com reflexões metafísicas que ajudaram a definir o cinema moderno. Ainda neste período, realizou Onde Está a Liberdade? (1954), retrato contundente da Itália do pós-guerra, e O General Della Rovere (1959), que conjuga as reflexões morais e metafísicas com elementos neo-realistas no cenário da Itália ocupada pelos alemães. A partir de 1966, e até à sua morte, dedicou-se quase exclusivamente à televisão, com a realização de filmes e séries didácticos. Com uma obra caracterizada pela autenticidade documental e profundas reflexões metafísicas e filosóficas, Roberto Rossellini mudou radicalmente o curso da história do cinema, e a sua influência sobre nomes como Godard e Scorsese, entre tantos outros, é inestimável.


