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Sentimento Senso

Um filme de Luchino Visconti com Alida Valli, Farley Granger, Massimo Girotti, Heinz Moog, Rina Morelli

Veneza, Primavera de 1866, nos últimos dias da ocupação austríaca. Uma condessa italiana perturbada e neurótica trai o seu país, colocando o seu casamento e princípios políticos em risco, ao envolver-se num tórrido caso de amor com um tenente austríaco. É o romance trágico, e auto-destrutivo (segundo Luchino Visconti) filmado em exuberante Technicolor, a acentuar as linhas do melodrama operático, numa evocação sensual das emoções irresponsáveis.

1954 | Itália | M/12 | Cópia Restaurada 4K | 2h03 | Drama | Longa-metragem

Festivais e prémios

Festival de Veneza 1954 – Selecção Oficial em Competição

Actores e ficha técnica

Elenco: Alida Valli, Farley Granger, Massimo Girotti, Heinz Moog, Rina Morelli


Argumento: Suso Cecchi D’Amico, Luchino Visconti
Direcção de Fotografia: Aldo Graziati e Robert Krasker

Montagem: Mario Serandrei

Som: Aldo Calpini, Vittorio Trentino

Produção: Lux Film

Distribuição: Leopardo Filmes

Biografia do realizador

Luchino Visconti di Modrone nasceu em Milão a 2 de Novembro de 1906, no seio de uma família nobre (o seu título viria a ser Conde de Lonate Pozzolo), algo que, desde muito cedo, lhe permitiu ter uma ligação forte ao mundo das artes. Nos anos 30, mudou-se para França, onde, graças à sua amizade com a estilista Coco Chanel, conheceu o realizador Jean Renoir. Foi através dele que Visconti entrou no mundo do cinema, enquanto seu assistente de realização em Toni (1935), Passeio ao Campo (1936), O Mundo do Vício (1936) e Tosca (1941), este último completado por Carl Koch depois de Renoir fugir devido à guerra. A partir de 1940, ligou-se ao grupo do jornal Cinema e resolveu fazer os seus próprios filmes, tendo vendido algumas jóias de família para financiar o primeiro, Obsessão (1943). Considerado um dos primeiros exemplos do neo-realismo, o filme chocou com a Itália fascista (o filho de Benito Mussolini, Vittorio, editor do jornal Cinema, terá gritado “Isto não é a Itália!” na estreia do filme) e foi censurado, só voltando a ser exibido em Maio de 1945. Visconti fez parte da resistência contra o fascismo, emprestando o seu palácio e participando em acções armadas, algo que levou à sua detenção por parte da Gestapo. No âmbito de uma encomenda do Partido Comunista Italiano, já depois da libertação de Itália, realizou a sua segunda longa-metragem, A Terra Treme (1948). Este filme sobre uma família de pescadores, filmado completamente no local (Aci Trezza, na Sicília), com um elenco de não-actores, é considerado uma das maiores obras, não só do neo-realismo, mas de todo o cinema italiano. O seu filme seguinte, Belíssima, continuou nesta senda. Em 1954, com Sentimento, encontram-se os sinais de uma nova fase na sua carreira, pautada pelo melodrama e um estilo intimista, com narrativas mais pessoais (Rocco e os Seus Irmãos, em 1960, seria um regresso ao neo-realismo), que se afirmaria a partir da década de 1960, com obras-primas como O Leopardo (1963); Os Malditos (1969), que lhe valeu uma nomeação para o Óscar de Melhor Argumento Original; Morte em Veneza (1971); Ludwig – Luís da Baviera (1972); Violência e Paixão (1974) e O Intruso (1976), o seu último filme, estreado depois da sua morte a 17 de Março de 1976, na sequência de um ataque cardíaco (um primeiro ataque cardíaco em 1972 deixou-o debilitado e os seus dois últimos filmes foram realizados numa cadeira de rodas). Épicos sobre as mudanças dos tempos, a decadência e a morte, beleza e sexualidade, olhares incisivos sobre a sociedade italiana, cimentaram o lugar de Luchino Visconti como um dos nomes maiores do cinema italiano e de toda a história do cinema.

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