Uma Vida Difícil Una vita difficile
Depois da libertação de Itália, Silvio, membro da resistência, regressa a Roma, onde arranja um emprego mal pago num jornal comunista. Meses mais tarde, reencontra-se com Elena, a mulher que o salvou de um soldado alemão anos antes e por quem se apaixonou. Os dois casam-se, mas Silvio recusa abdicar dos seus ideais e valores para encontrar um emprego melhor. A precariedade das suas vidas leva Elena a abandonar Silvio. Um dos melhores filmes de Dino Risi, trata-se de um incisivo retrato da Itália do fim da guerra aos anos do boom económico, sobre a desorientação de um país a lidar com um pesado passado enquanto se precipita em direcção a um futuro confuso. Tudo isto num estilo agridoce e tragicómico, à imagem das melhores comédias italianas, e protagonizado por Alberto Sordi em plena forma, entre o sério e o jocoso.
Actores e ficha técnica
Elenco: Alberto Sordi, Lea Massari, Franco Fabrizi
Argumento: Rodolfo Sonego
Direcção de Fotografia: Leonida Barboni
Montagem: Tatiana Casini
Produção: Dino De Laurentiis
Distribuição: Leopardo Filmes
Biografia do realizador
Dino Risi nasceu em Milão, em Dezembro de 1912, e morreu em Roma, em Junho de 2008. Estudante de medicina e, mais tarde, psiquiatria, o cinema apareceu-lhe como que um acidente, quando conheceu o realizador Alberto Lattuada na loja de um amigo. A partir daí, foi assistente de realização em vários filmes, de realizadores como Lattuada, Mario Soldati e Luigi Comencini. Em 1946, ingressou pela realização e assinou várias curtas-metragens documentais. Realizou a sua primeira longa-metragem em 1950, Il siero della verità, documentário sobre os pacientes de um hospital milanês. Dois anos depois, estreou a sua primeira longa-metragem de ficção, Vacanze col gangster. Durante os anos 50, realizou várias comédias que se revelaram sucessos, como O Signo de Vénus (1955), nomeado para a Palma de Ouro no Festival de Cannes; O Viúvo Alegre (1959), e Uma Vida Difícil (1961), acompanhado por actores que se tornariam colaboradores regulares: Vittorio Gassman (com quem fez 16 filmes), Sophia Loren, Ugo Tognazzi, Alberto Sordi, Nino Manfredi, entre outros. Em 1962, realizou A Ultrapassagem, protagonizado por Gassman e um jovem Jean-Louis Trintignant, hoje considerado uma das suas obras-primas e um dos principais exemplos da commedia all’italiana. Até aos anos 90, Risi teve uma carreira fértil, com particular destaque para Os Monstros (1963), O Profeta (1968), e Perfume de Mulher (1974), pelo qual Gassman ganhou o Prémio de Melhor Actor no Festival de Cannes, nomeado para os Óscares de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Argumento Adaptado. Em 2002, Risi recebeu um Leão de Ouro pelo conjunto da sua obra. Considerado por muitos o “pai da comédia italiana”, foi, ao lado de Ettore Scola, Mario Monicelli e Luigi Comencini, um dos mestres deste género que rompeu com o neo-realismo informado pela guerra e dirigiu a sua atenção para a Itália em crescimento. As suas obras são caricaturas ferozes de uma sociedade em aguda transformação, das quais ninguém escapava. Risi soube aliar o espírito popular e o rigor, o humor atrevido e o moralismo, e os seus filmes são considerados o zénite da commedia all’italiana.


