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Estreia | O BARBA RUIVA e O TRONO DE SANGUE de Akira Kurosawa

Hoje chega mais uma dupla estreia do ciclo Sete Akira Kurosawa. O BARBA RUIVA e O TRONO DE SANGUE são os últimos dois títulos deste programa. Ambos os filmes são inéditos comercialmente em Portugal, sendo O TRONO DE SANGUE uma cópia digital restaurada. Para ver em Lisboa, no Cinema Medeia Nimas, no Porto, no Teatro Campo Alegre, e em Setúbal, no Cinema Charlot.


O BARBA RUIVA leva-nos ao início do século XIX. Após estudar medicina durante vários anos em Nagasaki, o jovem Naburo Yasumoto regressa a Edo com a esperança de ser nomeado para a equipa médica da Corte. Apanhado de surpresa ao ser nomeado para uma clínica pública, Yasumoto desrespeita deliberadamente as regras do hospital. Aos poucos, porém, o jovem começa a respeitar o chefe da clínica, Barba Ruiva, um homem íntegro, que vê em cada doente "uma desgraça da vida”. Quando Otoyo, uma adolescente condenada à prostituição, adoece física e moralmente e procura os cuidados da clínica, o Barba Ruiva encarrega Yasumoto de curá-la.


«Tinha algo de muito especial em mente quando fiz este filme [O Barba Ruiva] porque queria fazer algo que o meu público quisesse ver, algo tão magnífico que as pessoas simplesmente tivessem de o ver. Para fazê-lo, todos trabalhámos mais do que alguma vez havíamos trabalhado, esforçámo-nos por atentar a todos os detalhes, estávamos dispostos a passar por qualquer tipo de dificuldade. Foi muito difícil e por duas vezes fiquei doente. Mifune e Kayama também adoeceram uma vez cada um.» Akira Kurosawa


Em O TRONO DE SANGUE, o general Washizu e o general Miki perdem-se na floresta e encontram uma bruxa, que prevê que Washizu será rei e que será sucedido pelos herdeiros de Miki. É então que Washizu mata o seu senhor, Kuniharu Tsuzuki, e Miki. A bruxa prevê agora que ele estará a salvo enquanto a floresta não se puser em movimento. Mas o filho de Miki ataca o castelo de Washizu, usando as árvores da floresta como camuflagem. O filho de Washizu nasce morto, a sua mulher enlouquece e ele é traído pelos seus homens. Adaptação livre de Macbeth de William Shakespeare, O Trono de Sangue introduz pequenas diferenças em relação à peça (uma só bruxa, ao invés de três) e acrescenta novas cenas (quando a floresta se põe em movimento, os pássaros fogem e invadem o castelo).


«Com A Fortaleza Escondida (1958) e Donzoko (1957), este filme compõe a minha trilogia de filmes históricos. O grande problema consistia em adaptar Macbeth ao estilo japonês. Os sortilégios são diferentes no Ocidente e no Japão. Adoptei pois a forma do nô. É um formato que não tem qualquer complexidade. A encenação, os comportamentos das personagens e o seu lugar em cena, tudo foi realizado com esse propósito. Para isso fizemos o mínimo possível de grandes planos, e privilegiámos os planos de conjunto. Mesmo nas cenas mais intensas, a câmara não se aproxima das personagens. Os técnicos ficavam perplexos perante este novo mise-en-scène.» Akira Kurosawa

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