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Francesco Rosi: o “cinema como testemunha” em 2 obras incontornáveis

Poucos cineastas, de entre os mais envolvidos a nível sociopolítico, desenvolveram a sua obra em tão estreito compromisso com a verdade e assumiram a missão de questionar os poderes que ditam as injustiças do status quo, da maneira que Francesco Rosi o fez. Defendia eloquentemente a ideia do “cinema como testemunha” (cinema come testimonianza), afirmando a sua função principal “de reportar e testemunhar a realidade e como medium de contar histórias através dos quais os filhos possam compreender melhor os pais e aprender a julgar estas narrativas no contexto da História”.


Nascido em Nápoles, em 1922, começou por seguir as pisadas do pai – um cartoonista que já havia sido perseguido pelas autoridades devido a desenhos satíricos de Mussolini e do rei Vittorio Emmanuel III – trabalhando como ilustrador e colaborando com diversos jornais napolitanos e milaneses, antes de se mudar para Roma e descobrir o teatro. Pouco depois conhece Luchino Visconti e torna-se seu assistente na rodagem de La Terra Trema, a revolucionária docuficção neorealista que captou as vidas dos pescadores sicilianos com um timbre de amarga exactidão até aí desconhecido. Nas suas palavras: “esta primeira experiência extraordinária permitiu-me entrar no mundo do cinema pela porta da frente” e “foi fundamental para a minha maneira de trabalhar”.


Colaboraria mais vezes com Visconti, e com realizadores como Luciano Emmer, Rafaello Matarazzo, Michelangelo Antonioni e Mario Monicelli, antes de se estrear na realização de longas-metragens com La Sfida – Fúria de Ambições (1958), que ganhou logo o Prémio do Júri no Festival de Veneza e determina a vontade de se debruçar sobre os temas que afectam as vidas do meridione, do sul italiano de onde provinha: “Sou um homem do Sul com certas características nortenhas”. Rosi, desaparecido em 2015, realizaria filmes em géneros e registos diversos ao longo de quatro décadas de carreira, mas o seu empenho em usar o cinema para racionalizar a verdade e ganhar conhecimento sobre as realidades complexas que retrata faz dele um expoente máximo do “cinema de investigação” – o dito film d’inchiesta –, cuja influência se detecta nas obras de inúmeros criadores, de Coppola a Scorsese, de Saviano a Sorrentino.


A Leopardo Filmes recupera para as salas de cinema portuguesas, onde raras vezes tiveram exibição, duas das mais celebradas obras de Francesco Rosi em primoroso restauro digital. Terão estreia nacional a 26 de Outubro.


SALVATORE GIULIANO

de Francesco Rosi

CÓPIA DIGITAL RESTAURADA 4K

ESTREIA – 26 OUTUBRO


AS MÃOS SOBRE A CIDADE

de Francesco Rosi

CÓPIA DIGITAL RESTAURADA
ESTREIA – 26 OUTUBRO


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