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Medeia Filmes apresenta TORRE BELA, de Thomas Harlan

No contexto das comemorações do 46º aniversário da Revolução de Abril, a Medeia Filmes, em programa especial extra da sua “Quarentena Cinéfila”, disponibilizará no seu site, gratuitamente, das 9h do dia 1 de Maio às 24h do dia 3, o “filme mítico de uma ocupação mítica”: TORRE BELA, do realizador alemão Thomas Harlan, “um dos mais fabulosos documentários da história do cinema”, como afirmou Paulo Branco, que o estreou em sala, em 1979 em França, e em 2007, em Portugal.


A Medeia disponibilizará ainda duas conversas em torno do filme. Uma que teve lugar a seguir à sua projeccção no LEFFEST — Lisbon & Sintra Film Festival, em Novembro de 2018, integrada no programa especial “O Desejo Chamado Utopia”, com Paulo Branco, Chester Harlan, o filho do realizador, Roberto Perpignani, o montador do filme, José Manuel Costa, director da Cinemateca, Francisco Bairrão Ruivo, historiador, Wilson Filipe, figura central do filme, Otelo Saraiva de Carvalho, capitão de Abril e um dos principais estrategas do movimento, e alguns dos apoiantes da ocupação da Torre Bela, como Camilo Mortágua, na altura militante da LUAR, e o cantor de intervenção Francisco Fanhais. Na plateia estavam algumas dezenas de habitantes das aldeias de Maçussa e Manique do Intendente, vizinhas da Torre Bela, que participaram na ocupação e no filme de Harlan. E ainda uma outra que aconteceu há precisamente um ano, no cinema Medeia Monumental, com José Filipe Costa, o realizador de Linha Vermelha (2011) — um documentário que ‘revisita’ Torre Bela, e os historiadores/investigadores Rita Luís e Francisco Bairrão Ruivo.


TORRE BELA

Um filme de Thomas Harlan

Com Wilson Filipe, Maria Vitória, José Neves Paiva, Zeca Afonso, Francisco Fanhais, Vitorino, Camilo Mortágua... 

França, Itália, Portugal, Suíça | 1977 | Duração: 110 min

Festival de Cannes 1977 — Selecção Oficial Fora de Competição

Em Abril de 1975, camponeses sem terra e sem trabalho, muitos deles analfabetos, desamparados, ocuparam a herdade da Torre Bela, feudo do Duque de Lafões, mais de mil e quinhentos hectares onde nada se cultivava, e aí constituíram uma cooperativa. Foi uma acção espontânea, 572 dias que abalaram o Ribatejo, que contou com a colaboração do MFA. Por lá passaram Zeca Afonso, Vitorino, Fanhais, Camilo Mortágua. O realizador alemão Thomas Harlan filmou a ocupação, ao longo de 8 meses, e Torre Bela, o filme, “uma obra rara e preciosa”, como escreveu Rodrigues da Silva no JL, é um dos mais notáveis documentários feitos em Portugal e na Europa, com “um valor intemporal e universal que muitos filmes captados nessa altura não têm” (José Manuel Costa, director da Cinemateca Portuguesa).


«Na Torre Bela víamos coisas que jamais tínhamos visto, ou sonhado ver. E sem dúvida que os habitantes da Torre Bela poderiam dizer o mesmo: faziam coisas que, sem dúvida, nunca tinham pensado fazer anteriormente. [...] Era preciso que, quer nós quer eles, inventássemos o dia-a-dia.

[…]

Torre Bela é, antes de tudo, um filme sobre a tomada da palavra […] uma vez que é ao falar que as personagens se descobrem, ganham consciência da sua existência e a partir daí podem agir e tornar-se personagens dramáticas.»

Thomas Harlan em entrevista aos Cahiers du cinéma, n° 301, Junho de 1979, realizada por Serge Daney, Paulo Branco e Thérèse Giroud


«Torre Bela é, antes do mais, um desses documentos extraordinários que surgem por vezes no coração das lutas ou das situações-limite, quando a obstinação em “continuar a filmar” leva a melhor sobre todas as ideias preconcebidas ou não, comprometidas ou não, daquele que filma. Os amadores do “real”, os canibais do “sur le vif” (no número dos quais nos contamos) ficarão pois siderados com o filme de Thomas Harlan. Raramente se terá visto melhor o fazer e o desfazer de uma colectividade singular em si e feita ela própria de singularidades, apanhada num processo político em que ela é a verdade cega e o ponto da utopia.»

Serge Daney, Cahiers du cinéma, n° 301, Junho de 1979


«Estamos perante um dos mais notáveis documentários feitos no imediato pós-25 de Abril.»

João Lopes, Première


«Uma obra rara e preciosa.»

Rodrigues da Silva, JL


« É preciso ver este filme, se queremos ser portugueses e ter a mania de ter ideias sobre Portugal.» 

Luís Miguel Oliveira, Público


«A experiência de Torre Bela, gesto político e utópico como poucos no cinema, é um património da história de Portugal do último quartel do século XX. [...] É, ainda hoje, o filme que melhor retrata o pós-25 de Abril.» 

Francisco Ferreira, Expresso


Nota: Estreado em 1977 no Festival de Cannes, Torre Bela conheceu várias versões. Thomas Harlan foi sempre remontando, com o italiano Roberto Perpignani, as dezenas de horas de filmagens (o filme teve Russel Parker na direcção de Fotografia) feitas ao longo de 8 meses, em super 8, depois ampliado para formatos para exibição em sala. Essa versão de Cannes tinha 139’. Em Portugal, salvo algumas projecções esporádicas, nomeadamente na Cinemateca e em alguns cineclubes, o filme foi distribuído com o jornal Público em 1999, por ocasião do 25º aniversário do 25 de Abril, num dvd com a duração de 82’. Torre Bela acabaria por se estrear em sala em Portugal apenas em 2007, pela mão de Paulo Branco, numa versão que ficaria por isso conhecida como a “versão portuguesa” (será essa que a Medeia Filmes vai mostrar); tem a duração de 110’ (105’ em dvd, por causa dos 25 frames por minuto no dvd), e corresponde àquela que, na altura, o realizador Thomas Harlan sugeriu ao produtor e distribuidor português, seu amigo de longa data, e que desde o início esteve ligado à exibição do filme, em Cannes e em sala em França. Em 2018, integrada no programa especial “O Desejo Chamado Utopia”, o LEFFEST — Lisbon & Sintra Film Festival, organizou uma projecção do filme numa nova versão, depositada por Thomas Harlan na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, com a duração de 136’, seguida de um debate com Paulo Branco, o filho do realizador, Chester Harlan, o montador Roberto Perpignani, o director da Cinemateca, José Manuel Costa, o historiador Francisco Bairrão Ruivo, Wilson Filipe, figura central de Torre Bela, Otelo Saraiva de Carvalho, capitão de Abril e um dos principais estrategas do movimento, alguns dos apoiantes da ocupação da Torre Bela, como Camilo Mortágua, na altura militante da LUAR, e o cantor de intervenção Francisco Fanhais. Na plateia estavam algumas dezenas de habitantes das aldeias de Maçussa e Manique do Intendente, vizinhas da Torre Bela, que participaram na ocupação e no filme de Harlan. Roberto Perpignani fala ainda de uma outra montagem em que ele trabalhou, que terá à volta de 4 horas, cujo paradeiro se desconhece.


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