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Novos filmes

A Criança A Criança

Um filme de Marguerite de Hillerin, Félix Dutilloy-Liégeois com João Arrais, Grégory Gadebois, Maria João Pinho, Loïc Corbery

A história decorre perto de Lisboa, em meados do século XVI. Bela, um jovem adoptado, tenta encontrar o seu lugar numa família livre, mas enclausurada num mundo onde as sombras têm a claridade das imperfeições.

Aqui, tudo leva ao desastre.

2021 | Portugal, França | Filme e mini-série 3 episódios

Actores e ficha técnica

Paulo Branco e Juan Branco
apresentam

Grégory Gadebois

João Arrais
Maria João Pinho

Loïc Corbery de la Comédie-Française
Inês Pires Tavares
Alba Baptista
Albano Jerónimo
Ulysse Dutilloy-Liégeois
Cleonise Malulo
Raimundo Cosme
Olivier Dutilloy
João Vicente


Argumento e realização: Marguerite de Hillerin e Félix Dutilloy-Liégeois
Livremente adaptado do conto Der Findling (trad. O Orfão) de Heinrich von Kleist


Imagem: Mário Barroso
Decoração: Zé Branco
Guarda-roupa: Lucha D'Orey
Som: Francisco Veloso
Montagem: Paulo Milhomens
Montagem de som: Pedro Góis, Elsa Ferreira
Assistente de realização: Raquel Teixeira
Chefe de produção: Catarina Alves
Produzido por Paulo Branco


Uma produção Leopardo Filmes
Em co-produção com Alfama Films Production


Com o apoio financeiro
Instituto do Cinema e do Audiovisual
Ministério da Cultura
Rádio e Televisão de Portugal


Vendas internacionais e festivais: Alfama Films

Biografia do realizador

Marguerite de Hillerin:


Marguerite de Hillerin surge em Le Sommeil de la terre de Félix Dutilloy-Liégeois. A partir daí, Félix e Marguerite têm vindo a partilhar as suas ideias, a imaginar em conjunto novas histórias e modos de as contar. Escreveram e realizaram juntos os filmes Au Mont e Les Ruines en été, onde temas como o desaparecimento, os segredos e os silêncios vão de encontro aos temas de A Criança.


Félix Dutilloy-Liégeois:


Na Primavera de 2018, Félix Dutilloy-Liégeois escreveu e realizou, com Marguerite de Hillerin, Au Mont. Em Agosto de 2019, Marguerite e Félix dirigem uma média metragem, Les Ruines en été, que narra o regresso de um irmão a uma família enlutada pela morte de um filho. Este filme permitirá à dupla de realizadores abordar os temas fundamentais de A Criança.

Nota de intenções

Quando Paulo Branco e o seu filho Juan nos pediram para escrever ou adaptar uma história, um de nós pensou em “O Orfão”, o conto breve de Kleist. A nossa paixão pelo texto era mútua: na escrita do autor alemão, encontrámos material muito rico e ecos de cinema.


***


O nosso trabalho de reescrita levou-nos à criação de um fresco familiar que se desenrola ao longo de seis dias em Portugal, em 1554. A personagem central é Bela, um rapaz nascido num bairro pobre de Lisboa, adoptado por um casal franco-português rico, para substituir um filho perdido nas colónias.


Portugal em meados do século XVI vive o apogeu do seu poder e está simultaneamente à beira do declínio. Lisboa é o local de concentração de riquezas de todo o mundo. Mas a grande expansão estagnara. A Inquisição tornara-se uma instituição e, portanto, uma força política que constrangia a vida dos súbditos do reino. Converteu-se numa ferramenta moral, estendendo seu poder para além das preocupações religiosas, decretando o que eram boas e más condutas. As liberdades individuais iam sendo reduzidas, moldando um mundo cada vez mais estreito.


***


A família de Bela é, a priori, inspiradora. Maria sabe que o marido é homossexual e aceita a sua relação com Jacques. Pierre aceita o facto de que a sua segunda mulher ama outro homem, embora há muito tempo morto. A família vende crucifixos, mas passa bem sem a religião católica, com a qual evita associar-se. Pierre escreve poemas. Jacques e Maria lêem. Porém, se tudo está estabelecido, nada do que realmente importa será dito. O silêncio dos nossos personagens é terreno fértil para crenças infundadas, mal-entendidos, para a incompreensão. O sentimento individual confunde-se. Não somos, não nos exprimimos, imaginamos que somos, de acordo com o modo como os outros nos vêem.


Bela tem tudo a aprender aqui: os hábitos de uma certa classe social, outro idioma, uma profissão séria. Pierre e Maria amam Bela pelo que vêem nele. Mas, afinal, cada criança é a promessa de um novo horizonte; Pierre e Maria reagem de forma natural e não os condenaremos. Na criança está a esperança de uma vida mais bela do que a que vivemos, ou menos infeliz. Sonhamos que um filho ou filha trará consigo a paz que é tão difícil de encontrar no decurso das nossas vidas; os filhos são, em última análise, os mais delicados receptáculos da esperança. E podemos perguntar-nos, algo envergonhados, pensando em melhores dias:

Poderão os nossos filhos salvar-nos dos nossos fantasmas, dos nossos segredos ocultos, do fardo que já não conseguimos carregar, dos nossos arrependimentos, da nossa covardia perante as crueldades da vida, de uma sociedade em declínio, da nossa incapacidade de dizer "eu sou"? 


Mas como poderiam nossos filhos desempenhar tantos papéis? 

***









Amamos as histórias, amamos as almas errantes, os corações perturbados, amamos os céus tempestuosos, amamos o canto dos pássaros perdidos durante a noite, amamos a eternidade de uma praia perto do mar, a doçura de uma tarde sobre a erva, amamos os caminhos acidentados; amamos Branca que irá trair Rosa por amor, Rosa que irá sacrificar Bela pela sua liberdade, Maria que ama perdidamente um fantasma, Pierre que escreve poemas e os recita ao abrigo do mundo, Afonso que viveu várias vidas, Jacques que vive a dele em sonhos e fora do seu tempo, e, por fim, Bela, o nosso menino luz que vai sucumbir.

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