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O Partido das Coisas: Bardot / Godard Le Parti des choses: Bardot et Godard

Um filme de Jacques Rozier com Jean-Luc Godard, Brigitte Bardot, Michel Piccoli, Fritz Lang

Nos bastidores de O Desprezo, de Jean-Luc Godard, este documentário de Jacques Rozier explora a relação entre Godard, Brigitte Bardot e Michel Piccoli, num profundo ensaio sobre a colaboração artística. A segunda parte do díptico que Rozier construiu à volta de O Desprezo (com Paparazzi, onde se afastou das filmagens para filmar a imprensa), o cineasta embrenha-se no próprio acto de criação do filme, revelando os gestos quotidianos dos técnicos, os movimentos dos actores, as orientações do realizador e o papel do acaso numa produção cinematográfica, num encontro entre o cinema e a realidade. 

1964 | França | M/12 | Cópia Restaurada | 10 min | Documentário | Curta-metragem

Actores e ficha técnica

Elenco: Jean-Luc Godard, Brigitte Bardot, Michel Piccoli, Fritz Lang, Jack Palance


Direcção de Fotografia: Jacques Rozier
Montagem: Jacques Rozier
Produção: Jacques Rozier
Distribuição: Leopardo Filmes

Biografia do realizador

Jacques Rozier nasceu em 1926, em Paris. Entrou no mundo do cinema por uma via convencional, ao ingressar no IDHEC (agora La Fémis), que lhe deu a oportunidade de ser assistente de realização de Jean Renoir em French Cancan (1954). Continuou a trabalhar como assistente de realização em vários filmes e programas de televisão, sobretudo. Em 1955 e 1958, realizou duas curtas-metragens, Rentrée des classes e Blue Jeans, respectivamente, que chamaram à atenção de Jean-Luc Godard, seu acérrimo defensor (elogiou “lucidez da sua improvisação”, de um cinema “jovem e belo, como os corpos de vinte anos de que falava Rimbaud”). Depois do sucesso de O Acossado (1960), Godard apresentou Rozier ao seu produtor Georges de Beauregard, que lhe viria a financiar a sua primeira longa-metragem, Adeus Philippine. Representação anárquica da juventude, foi filmado com igual liberdade, entre as ruas de Paris e as montanhas da Córsega, com diálogos improvisados, sem qualquer argumento (algo recorrente ao longo de todos os seus filmes). Beauregard desistiu do projecto, e o filme só veria a luz em 1962, no Festival de Cannes, e por todos foi adorado. E aí começou uma das obras mais singulares, mais livres e mais geniais do cinema francês. Rozier, que ficou conhecido como o enfant terrible da Nouvelle Vague, deixou-nos uma mão cheia de longas-metragens e várias curtas para o cinema, incluindo um díptico à volta de O Desprezo (1963), de Godard: Paparazzi (1963) e O Partido das Coisas: Bardot / Godard (1963). Também fez imensos trabalhos para a televisão ao longo da sua vida, quase para subsistência, dada a dificuldade em filmar que encontrou ao longo de toda a sua carreira. Só realizaria a sua segunda longa-metragem nove anos depois – As Praias de Orouet (1971), estreado dois anos depois da rodagem. As dificuldades em filmar, com grandes intervalos entre rodagens, continuaram. A sua obra seguinte, Os Náufragos da Ilha Tortuga, foi realizado em 1976, mas nem sequer foi distribuído em França. Dez anos depois, realiza Maine Océan (1986), talvez a sua obra maior, produzida por Paulo Branco, com fotografia de Acácio de Almeida. O jornal Le Monde colocou-o na lista dos 50 melhores filmes da história do cinema francês, e João Bénard da Costa considerou-o “um dos mais modernos dos filmes modernos”. A sua última longa-metragem, Fifi Martingale (2001), foi estreada no Festival de Veneza, mas não foi distribuída em França. Foi um outsider (como o foram Eustache e Pialat) e assinou uma obra de enorme frescura. Desentendimentos amorosos e desventuras cómicas compõem os Verões sem fim dos seus filmes, onde a viagem importa mais que o destino e a excentricidade é resposta à melancolia do mundo. Cineasta do risco e do desejo, o mais irreverente e provocador da Nouvelle Vague, fez do acaso a sua estética e do improviso o seu método, numa das obras mais livres, mas também mais secretas, da história do cinema.

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