Violência e Paixão Gruppo di famiglia in un interno
Um reformado professor de história de arte vive sozinho num luxuoso palacete em Roma, isolado do mundo, acompanhado apenas pelas suas obras de arte. A sua solene solidão é perturbada quando a vulgar marquesa Bianca Brumonti, esposa de um industrial de direita, o convence, por via da decepção e da força, a arrendar um dos apartamentos do palacete. Forçado a interagir com o turbulento grupo composto pela marquesa, o seu amante Conrad, a sua filha Lietta e o namorado desta, o Professor vê-se cada vez mais fascinado pelos seus novos hóspedes. Um dos filmes mais pessoais de Visconti (e o seu penúltimo), Violência e Paixão é uma meditação elegíaca sobre política, cultura e sexualidade, marcada pela melancolia dos tempos em mutação.
Festivais e prémios
Prémios David di Donatello 1975 – Melhor Filme, Melhor Actor Estrangeiro (Burt Lancaster)
Prémios do Sindicato Nacional de Críticos de Cinema Italianos 1975 – Melhor Realização, Melhor Fotografia, Melhor Produtor, Melhor Actriz Estreante (Claudia Marsani), Melhor Design de Produção
Actores e ficha técnica
Elenco: Silvana Mangano, Burt Lancaster, Helmut Berger
Argumento: Enrico Medioli, Suso Cecchi D'Amico, Luchino Visconti
Direcção de Fotografia: Pasqualino De Santis
Montagem: Ruggero Mastroianni
Produção: Giovanni Bertolucci
Distribuição: Leopardo Filmes
Biografia do realizador
Luchino Visconti di Modrone nasceu em Milão a 2 de Novembro de 1906, no seio de uma família nobre (o seu título viria a ser Conde de Lonate Pozzolo), algo que, desde muito cedo, lhe permitiu ter uma ligação forte ao mundo das artes. Nos anos 30, mudou-se para França, onde, graças à sua amizade com a estilista Coco Chanel, conheceu o realizador Jean Renoir. Foi através dele que Visconti entrou no mundo do cinema, enquanto seu assistente de realização em Toni (1935), Passeio ao Campo (1936), O Mundo do Vício (1936) e Tosca (1941), este último completado por Carl Koch depois de Renoir fugir devido à guerra. A partir de 1940, ligou-se ao grupo do jornal Cinema e resolveu fazer os seus próprios filmes, tendo vendido algumas jóias de família para financiar o primeiro, Obsessão (1943). Considerado um dos primeiros exemplos do neo-realismo, o filme chocou com a Itália fascista (o filho de Benito Mussolini, Vittorio, editor do jornal Cinema, terá gritado “Isto não é a Itália!” na estreia do filme) e foi censurado, só voltando a ser exibido em Maio de 1945. Visconti fez parte da resistência contra o fascismo, emprestando o seu palácio e participando em acções armadas, algo que levou à sua detenção por parte da Gestapo. No âmbito de uma encomenda do Partido Comunista Italiano, já depois da libertação de Itália, realizou a sua segunda longa-metragem, A Terra Treme (1948). Este filme sobre uma família de pescadores, filmado completamente no local (Aci Trezza, na Sicília), com um elenco de não-actores, é considerado uma das maiores obras, não só do neo-realismo, mas de todo o cinema italiano. O seu filme seguinte, Belíssima, continuou nesta senda. Em 1954, com Sentimento, encontram-se os sinais de uma nova fase na sua carreira, pautada pelo melodrama e um estilo intimista, com narrativas mais pessoais (Rocco e os Seus Irmãos, em 1960, seria um regresso ao neo-realismo), que se afirmaria a partir da década de 1960, com obras-primas como O Leopardo (1963); Os Malditos (1969), que lhe valeu uma nomeação para o Óscar de Melhor Argumento Original; Morte em Veneza (1971); Ludwig – Luís da Baviera (1972); Violência e Paixão (1974) e O Intruso (1976), o seu último filme, estreado depois da sua morte a 17 de Março de 1976, na sequência de um ataque cardíaco (um primeiro ataque cardíaco em 1972 deixou-o debilitado e os seus dois últimos filmes foram realizados numa cadeira de rodas). Épicos sobre as mudanças dos tempos, a decadência e a morte, beleza e sexualidade, olhares incisivos sobre a sociedade italiana, cimentaram o lugar de Luchino Visconti como um dos nomes maiores do cinema italiano e de toda a história do cinema.


